segunda-feira, 17 de março de 2014

Fatores importantes na condução do processo de ensino-aprendizado em EaD

 

          Destaque-se, para um processo de condução do ensino-aprendizagem na EAD, as ferramentas utilizadas nesse sistema educacional, que devem ser construídas e pensadas de forma simplificada, ou seja, de fácil manejo e interpretação tanto para os profissionais envolvidos, quanto para os alunos.
           Outro fator são os Ambientes Virtuais de Aprendizagem, que devem abarcar todas as informações necessárias de forma a facilitar o entendimento das partes com o conteúdo que está sendo trabalhado. Relevando-se não somente o processo tecnológico, como também a funcionalidade didática e metodológica que deve estar embutida neste processo, respeitando os objetivos de cada projeto pedagógico dos cursos elaborados.
           As plataformas tecnológicas, também são de relevante importância, pois caracterizam-se como softwares desenvolvidos para favorecer os processos no AVA, utilizando para isso diferentes ferramentas que facilitam o manejo do sistema/ambiente educacional. São eles os responsáveis por tornar “acessível” e “fácil” a diversidade exigida para o ensino-aprendizagem dentro do ambiente educativo da EAD – além de comportar todos os conteúdos, é a ferramenta, que dá comunicabilidade entre as partes, como exemplo o acesso a link´s, conversações nos blog´s e mensagens, disponibilização de conteúdos on-line, filmes, livros virtuais (e-books/e-pub), entrevistas e demais interativas que o ambiente da internet proporciona ser utilizado como ferramenta de enriquecimento dos conteúdos trabalhados. A plataforma, precisa considerar essa inovação pedagógica, de forma a não-somente transmitir e disponibilizar diversidade de materiais como também conduzir o aluno à reflexão e a construção de novas e diferentes percepções sobre os conteúdos trabalhados.
É importante conhecer a diversidade de plataformas disponibilizadas para a EAD, bem como a forma como disponibilizam as ferramentas tecnológicas para o correto desenvolvimento das metodologias educacionais.
          Vale destacar, de forma conclusiva desta reflexão, algumas perguntas trazidas por Michael Moore e Greg Kearsley, na obra Educação a Distância, onde atentam para aspectos que devem ser ressaltados ao pensar na criação de um curso ou programa de educação a distância, quais sejam:
 
• Que conteúdo deve ser incluído?
• De que forma ocorrerá a sequência e a estrutura da matéria?
• Que mídias serão usadas para apresentar as diferentes partes do material?
• Que estratégias de ensino serão utilizadas?
• Quanta interação existirá entre alunos e instrutor e entre os alunos?
• Como o aprendizado será avaliado e que forma assumirá o feedback para os alunos?
• Quais métodos de produção serão usados para criar os materiais de ensino?
(MOORE; KEARSLEY, 2007, p. 107)
 
          Verifica-se que na condução do processo de ensino-aprendizagem é de fundamental importância que as metodologias e processos educacionais não sejam esquecidos ao se aplicar os processos tecnológicos. É preciso pensar em eficácia, sem esquecer na praticidade e agilidade que esta deve trazer aos envolvidos no processo educacional da EAD, de forma a aproximar ainda mais as partes, desinibindo até mesmo aqueles que encontram dificuldades/receios ao trabalhar com estes novos meios.
          O estudo a distância mostra-se como uma constante construção, pois todos os dias tem-se novas ferramentas que auxiliam e facilitam as diversas transições de conteúdo, com diferentes formas de serem trabalhados – desde o layout até as diferentes redações dos documentos.
          Portanto, para que o processo de ensino-aprendizagem se efetive na EAD é preciso ter como desafio e objetivo a participação ativa do aluno nos diferentes processos e proposições, disponibilizados nos AVA´s. A realização da EAD tangencia a participação efetiva do aluno dentro deste universo virtual, fazendo-o participar, interagir e dialogar, de forma próxima, com colegas e professores – a educação é a distância, mas as relações para o alcance da aprendizagem não.
  
 
REFERÊNCIA:
 
MOORE, Michael; KEARSLEY, Greg. Educação a Distância: Uma visão integrada. Tradução de: GALMAN, Roberto. São Paulo: Thomson Learning, 2007.

 

terça-feira, 18 de junho de 2013

Resenha do texto: Orientador Educacional ou Pedagogo – Da importância do fazer pedagógico para a democratização do ensino - Autora: Selma Garrido Pimenta


 
A autora inicia o texto retratando o alto índice de evasão que perdura nas escolas públicas e lembra que somente os fatores externos não são suficientemente convincentes para justificar o crescimento destes números. Neste aspecto, destaca-se o questionamento da autora: “é possível ensinar aos alunos que se evadem, e que, não por acaso, são advindos das camadas sociais mais pobres?” Através desta indagação, que diz respeito a fatores e práticas internas da escola, que precisam e devem ser mudados, surge o desafio de ensinar superando estas barreiras.

Vale acrescer e destacar os seguintes aspectos de modelo ideal da educação com o entendimento de José Carlos Libâneo: “Não há uma forma única nem um único modelo de educação; a escola não é o único lugar em que ela acontece e talvez nem seja o melhor; o ensino escolar não é a única prática, e o professor profissional não é seu único praticante”. (LIBÂNEO, José Carlos. Pedagogia e pedagogos, para quê? 12. ed. São Paulo: Cortez, 2010. p. 26.)

Nota-se que o desafio a ser enfrentado pela escola é ainda maior. E para que este objetivo seja atingido é abordada, por Pimenta, a atribuição do pedagogo, destacando o período em que o fazer pedagógico fora subdividido em três funções, quais sejam: a administração escolar, a supervisão pedagógica e a orientação educacional. Na tentativa de solução para tantas problemáticas, a autora analisa a prática do pedagogo, então denominado como orientador educacional.

Na luta pela emancipação das camadas menos favorecidas e pela diminuição no índice de evasão escolar, destaca-se o papel relevante da escola como transmissora do acesso ao saber. Pode-se perceber nas palavras de Dermeval Saviani duas concepções de teorias educacionais: “Na primeira, temos aquelas teorias que entendem ser a educação um instrumento de equalização social, portanto, de superação da marginalidade. No segundo, estão as teorias que entendem ser a educação um instrumento de discriminação social, logo, um fator de marginalização”. (SAVIANI, Dermeval. Escola e democracia. 41 ed. Campinas: Autores Associados, 2009. p. 3.)

Neste aspecto entra em questão a superação de condições de dominação trazidas pela autora com brilhantismo, nas quais o confronto entre as partes aluno/professor, criará novos saberes e novas interpretações de mundo.

A escola tem importante papel na socialização de seus saberes, através desta afirmação se desdobrará o texto em uma visão progressista da educação.

Para que os papeis de orientador e pedagogo sejam apresentados são enumeradas as funções de cada um. Primeiramente o papel do pedagogo: quanto à escola pública o pedagogo seria aquela pessoa disposta a enfrentar os problemas da democratização; busca de melhoria e oportunidades de acesso. Quanto à especificidade da escola tratar das articulações entre o que se aprende com o que lhe quer ensinar, tendo o domínio também de instrumentos e técnicas para que este processo aconteça. Quanto à prática docente encaixa-se a pedagogia crítico-social dos conteúdos e a importância do papel do professor no processo cultural; busca de resolução de contradições e entraves que barrem as propostas de serem efetivadas; articulação entre os diferentes modos de ensinar. Quanto aos especialistas na escola e a prática docente tem-se o objetivo de manter a especificidade da escola, evitando a resolução de conflitos/problemas através da fragmentação do trabalho; prática da escola tida como coletiva, implementação da interdisciplinaridade nas relações também; pedagogo na função não só administrativa, como também relacionado ao ato de ensinar, manejando instrumentos de articulação para que o processo se efetive.

Quanto às funções do orientador educacional verifica-se a responsabilidade, também, pela busca da democratização do ensino, não desvinculando-se do “ser pedagogo”, só que com uma visão geral no que se refere ao especificamente pedagógico na escola.

Denota-se que muitas das teorias e práticas específicas da orientação educacional podem ser úteis, desde que tomadas as devidas precauções, como a importância do autoconceito do aluno, na qual as opiniões deles devem se constituir como fatores estimulantes no processo da aprendizagem; a relevância das atividades de orientação de estudos compreendendo as dificuldades individuais e relativizando o fator cultural. Nas palavras da autora é possível identificar que esse “papel do orientador” esteja conectado ao professor.

Adentra-se neste momento para a especificidade da contribuição do orientador educacional, neste ponto a autora retrata que muitos destes profissionais acabam por atuar somente na seara psicológica, envolvente somente ao aluno, deixando de intervir e atuar através de processos de fundamental importância como o currículo, à metodologia e a avaliação.

Não há dúvidas de que o fazer pedagógico se concretiza na escola, com isso a importância do acompanhamento em relação aos conteúdos e a forma que estão sendo desenvolvidos, aproximando os diferentes contextos e culturas da sala de aula, daí a relevância do trabalho concomitante de assessoria no processo ensino-aprendizagem do orientador com o professor – diminuindo espaços entre a fragmentação (sincrética) e o conhecimento elaborado (sintético), até para que a avaliação se torne uma ferramenta efetiva e consonante com o processo de aprendizagem (passagem do estágio de senso comum para a consciência crítica dos conteúdos).

Percebe-se que na pedagogia crítico-social a avaliação não pertence mais ao professor, ao aluno ou ao sistema, como ocorriam, respectivamente, na pedagogia tradicional, escolanovista e tecnicista. Utilizar-se-ão instrumentos aquém da escola, sempre articulados às situações concretas na qual se esta inserido, verificando em que medida a prática conjunta dos educadores da escola, está possibilitando a apreensão crítica dos conteúdos por parte dos alunos.

O último elemento, mas não menos relevante, trazido pelo texto, diz respeito a metodologia, que em suma se define como um movimento entre as teorias-práticas-teorias. Esses movimentos caracterizam-se como a forma de acontecer da aprendizagem, ou seja, se tomará conhecimento não só de fatores internos ao ensino como também as predisposições do aluno em termos socioculturais e psicológicos. Para que a metodologia se realize de forma eficaz são analisados diversos fatores que partem desde a escolha do livro didático até sua efetiva aquisição crítica pelos alunos, durante este processo ocorrem questões de acompanhamento como: o professor propicia debate? Como os professores veem os alunos? Como se caracterizam os alunos das diferentes séries quanto a motivação, interesse, participação, estudo, organização? Quais as atividades que favorecem a memória? entre outras.

Verifica-se que a orientação metodológica requer inúmeras habilidades, de modo que o orientador será contributivo ao utilizar as teorias como referenciais somatórios para a verificação do processo de aprendizagem pelo professor.

A título conclusivo tem-se duas dificuldades que precisam ser enfrentadas, conforme expressas pela autora, a primeira refere-se a formação do profissional pedagogo, que precisa ser repensada; a segunda seria a real definição daquilo que realmente é função da escola em seu âmbito social. Portanto, a partir do momento em que for assumida a reforma interna da escola, ter-se-á efetivamente um sistema a serviço da democratização do ensino.

terça-feira, 16 de outubro de 2012

Com fazer um sumário automático


 

Que atitudes de mudança esperar da Escola, da Educação, da Sociedade e da Cultura?

A primeira atitude a se esperar da ESCOLA é a reversão de significado que ela apresenta aos alunos, qual seja, a alegria que eles sentem quando a professora falta ou quando tem um feriado se aproximando.
O saber, quando compartilhado da maneira correta, permitirá uma inversão de papéis, onde poderá ser discutido com o aluno que o fato de “faltar aula” significa uma “perda” em sua vida, afinal, perdeu uma grande oportunidade de compartilhar novos aprendizados.
Mas para que isso ocorra é necessário a equalização de papéis, onde realmente exista um diálogo aluno-professor e professor-aluno, o resultado não precisa ser a aprendizagem, pois esta terá que estar embutida em todo o seu processo e não somente no final.
Em relação à EDUCAÇÃO, esse termo precisa ser melhor apreendido, não só pelos educandos, como também pelos seus pais e pela sociedade. Precisa haver uma definição exata de papéis – onde professor ajuda a construir o aprendizado – e a família o educar.
No convívio com os colegas a criança se socializará, mas só aprenderá a respeitar o próximo se trouxer consigo aquilo que seus pais lhe passam: VALORES.
Se esses dois processos ficarem apenas na mão dos professores, dificilmente se darão integralmente, afinal para que ambos ocorram é necessário a participação de ambas as partes.
Tendo a mídia como um dos meios mais influentes do século XXI, a SOCIEDADE tem como obrigação transmitir os valores que estão sendo agregados com todos esses novos aparatos e não simplesmente empurrar para a mente das pessoas os PRODUTOS, mas fazer com eles se tornem as chaves fundamentais para a construção de uma vida mais significativa. Sugerindo e compartilhando com as pessoas as diversas formas de se utilizar, por exemplo, uma rede social, fazendo com que ela agregue significados para os indivíduos, além de apenas “empilhar” informações desnecessárias.
O papel da sociedade é transformar as novas tecnologias em ALIADAS, em FERRAMENTAS, mostrando ao cidadão que através delas ele pode se expressar, ser ouvido, denunciar, conhecer novas culturas, diminuir distâncias, ou seja, a sociedade capitalista em relação a educação deveria ser mais humanista.

A CULTURA pode ser comparada a língua de um povo, ou seja, algo em movimento, algo que se modifica, algo que se molda. Não podemos analisar a cultura como algo estagnado no tempo, caso contrário ainda trataríamos nossas crianças como adultos em miniatura e provavelmente eu estaria escrevendo esse trabalho em uma máquina de escrever... A cultura é origem, crença, padrões de comportamento e atividades, mas também significa uma etapa evolutiva das tradições e valores, portanto defino cultura como elemento integrante do processo educacional, por isso se molda e adapta ao meio em que se encontra, mantendo o que ainda é válido e moldando aquilo que precisa de adaptações.
 
Escola, educação, sociedade e cultura – são quatro aspectos que independem um do outro para acontecer, mas que juntos podem modificar a maneira como cada um acontece.
 

 
 
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(Texto de autoria de Emanuelle Milek, 2012 - Todos os direitos reservados - proibida a cópia integral ou parcial).

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Globalização x Educação em Massa


Primeiramente vamos definir o termo globalização...

Ela se encontra mais presente em nós do que podemos imaginar, o simples ato de escovar os dentes, por exemplo, possui características da globalização... Acordo, isso mesmo do verbo acordar, ligo minha televisão da mais alta tecnologia japonesa e ouço o noticiário: ‘tempestade econômica’, recessão continuada, baixas taxas de crescimento e elevação do desemprego. Nouriel Roubini, economista norte-americano, famoso por ‘prever’ crises já vaticinou: ‘a crise da zona do euro pode levar a uma desaceleração das principais economias ou até mesmo para uma estagnação completa’. Para Roubini, ‘a piora da economia mundial cria um cenário para uma perfeita tempestade em 2013’ [1] ... A notícia é tão chocante que o apresentador comenta ainda os possíveis reflexos dessa crise, dentre elas o agravamento da crise de dívida na Europa; o aumento de impostos e cortes de gastos nos Estados Unidos que podem empurrar a maior economia do mundo para uma recessão; uma desaceleração continuada da economia da China; crescimento menor das economias emergentes; e um confronto militar no Irã [2] . Imagino o quanto uma crise comparada a uma onda pode se transformar em um verdadeiro Tsunami quando perdido o seu controle... Bom, continuando vou até o banheiro caminhando com meu chinelo feito na China e meu pijama made in Turquia, pego minha escova de dentes alemã e coloco um pouco de pasta brasileira, em seguida vislumbro minha cara sonolenta em um espelho mexicano, enxaguo a boca e enxugo-me no mais puro fio 80 indiano, toca o telefone... Minha prima que esta morando na Europa... Quer colocar a conversa em dia... Tão longe, mas tão perto... Desligo o telefone, volto para o banheiro e olho para o espelho mexicano novamente: Globalização, globalização é uma evolução capitalista, pode-se compará-la a uma teia que vai sendo criada em torno dos países, possibilitando um intercâmbio social, cultural, econômico e político.



Agora vamos definir o que é uma Educação em Massa...
Primeiramente, relevante dizer, que ela se deu elencada por três componentes, quais sejam o Estado Moderno, a Revolução Industrial e a Globalização. Esses componentes necessitam de alunos treinados e socializados, para uma melhor comunicação. A educação em massa reflete a necessidade de expansão e aquisição de novos saberes por um determinado povo.


De que forma eu acredito que a Globalização influenciou a Educação em Massa...
A globalização exige movimento de seu receptor, pois abarca uma infinidade de diversificações culturais, sociais, econômicas. Por exemplo, se quero ter amigos norte-americanos, a primeira coisa que devo fazer é aprender o inglês, que permitirá essa aproximação. A globalização influenciou diretamente a educação em massa, pois foi ela que, ampliando o acesso as informações e diminuindo as distâncias, conseguiu derrubar os “mitos” e transformá-los em conceitos e significações. O que quero dizer com isso é que podemos remontar nossos quadrados e a partir deles construir cubos!
Retomando os principais aspectos educacionais, devendo-se dos devidos cuidados desse novo momento educacional, abordados por Gadotti, temos: O educar para pensar globalmente; Educar os sentimentos; Ensinar a condição humana essencial; Formar para a consciência planetária; Formar para a compreensão e Educar para a simplicidade e para a quietude. Esses aspectos deixam claro que o professor e o aluno possuem as ferramentas para a construção da aprendizagem, bastando a eles a busca da globalização do “eu”, de novos conhecimentos em meio ao bombardeio de novidades da “era da informação”.

Conclusão...

Situação da Educação em Massa:

em constante manutenção;


Responsável pela manutenção:

Globalização!

 
[2] http://www.douradosnews.com.br/especiais/opiniao/existe-a-possibilidade-de-uma-crise-economica-mundial-em-2013-por-marcus-eduardo-de-oliveira - Acesso em: 27.09.2012.


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(Texto de autoria de Emanuelle Milek, 2012 - Todos os direitos reservados - proibida a cópia integral ou parcial).

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Cultura...

Os trechos da carta-resposta a seguir são de um cacique indígena à sugestão, feita pelo Governo do Estado da Virgínia (EUA), de que uma tribo de índios enviasse alguns jovens para estudar nas escolas dos brancos. 

"(...) Nós estamos convencidos, portanto, de que os senhores desejam o nosso bem e agradecemos de todo o coração. Mas aqueles que são sábios reconhecem que diferentes nações têm concepções diferentes das coisas e, sendo assim, os senhores não ficarão ofendidos ao saber que a vossa idéia de educação não é a mesma que a nossa. (...) Muitos dos nossos bravos guerreiros foram formados nas escolas do Norte e aprenderam toda a vossa ciência. Mas, quando eles voltaram para nós, eram maus corredores, ignorantes da vida da floresta e incapazes de suportar o frio e a fome. Não sabiam caçar o veado, matar o inimigo ou construir uma cabana e falavam nossa língua muito mal. Eles eram, portanto, inúteis. (...) Ficamos extremamente agradecidos pela vossa oferta e, embora não possamos aceitá-la, para mostrar a nossa gratidão concordamos que os nobres senhores de Virgínia nos enviem alguns de seus jovens, que lhes ensinaremos tudo que sabemos e faremos deles homens." (BRANDÃO, Carlos Rodrigues. O que é educação. São Paulo: Brasiliense, 1984)

            Podemos analisar essa carta sob quatro aspectos, o primeiro seria a intensa relação da linguagem e escrita do cacique, sendo ele esclarecedor de que esses tipos de educação não combinam com sua cultura; o segundo deixa claro que cada cultura “educa” de acordo com suas necessidades; já no terceiro nota-se a importância de se preservar uma identidade cultural e, por último uma reflexão: a sociedade evolui e juntamente com ela o povo, com isso pode-se pensar a respeito da cultura indígena e de alguns de seus costumes que já não fazem sentido de serem mantidos, como equiparação “grotesca”, mas muito clara, compare-se uma cultura ultrapassada com o aborto, se uma criança nascesse, no século XVI com síndrome de down ela seria morta, mas se a mesma criança nascesse no século XXI ela teria o direito a vida, isso, de certa forma, caracteriza a evolução de uma cultura e aquilo que nela agregamos ou deixamos de lado.

Trata-se de uma visão perigosa e até mesmo provocativa mas, acredito que educação sempre é bem-vinda, seja ela para a caça ou para a escrita, com isso, obtemos outro aspecto de análise, onde se cogita o sentido de manter determinadas atitudes, se o tempo evolui e com ele o homem, caso isso não ocorra teremos a sensação de estagnação, ou até mesmo de um “recuar cultural”. Não falo em descaracterizar uma identidade cultural, mas sim, em evoluir culturalmente – democratizando, por exemplo, o direito de um integrante da tribo poder escrever e ler a carta escrita somente pelo cacique. Atenho-me, como base de sustentação para esse argumento, à nossa Constituição Federal que no Decreto 6.861/09 – art. 3º nos apresenta como direito dos índios:


Será reconhecida às escolas indígenas a condição de escolas com normas próprias e diretrizes curriculares específicas, voltadas ao ensino intercultural e bilíngue ou multilíngue, gozando de prerrogativas especiais para organização das atividades escolares, respeitado o fluxo das atividades econômicas, sociais, culturais e religiosas e as especificidades de cada comunidade, independentemente do ano civil.


Todos os cidadãos possuem os mesmos direitos, com base nessa afirmação, vale ressaltar a concepção de educação por Marx onde ela é a responsável por combater a alienação e a desumanização de um povo, por que negar esse direito ao índio? Ou melhor, para alguns índios? Afinal, a priori, torna-se notório o etnocentrismo vinculado ao texto do cacique, marcando nitidamente os valores de suas crenças e inferiorizando as demais, quando denota em um de seus dizeres que somente em sua cultura formar-se-ão verdadeiros homens.

“Quanto mais miserável o povo, mais rico é o político!”
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(Texto de autoria de Emanuelle Milek, 2012 - Todos os direitos reservados - proibida a cópia integral ou parcial).

Processo da Leitura


Dentro do processo de decodificação e intelecção de símbolos para transformá-los em um elemento uno de compreensão (leitura), se encontram os diversos contextos. Pode-se afirmar que a leitura resulta de um processo de entendimento e compreensão de determinadas palavras em um determinado contexto. A ideia de contexto consiste na “bagagem” que esse leitor possui e, principalmente no modo de pensar desse leitor, pois podemos ter vivido as mesmas coisas, mas extraímos delas somente aquilo que nos interessa, com isso podemos dizer que a leitura acaba por refletir um pouco daquilo que somos e a forma como pensamos.

Em uma única sala de aula se encontram as mais diversas realidades, construídas nos mais diversos contextos, onde cada um contará com o suporte de seus conhecimentos, experiências, oportunidades... se um dos alunos, por exemplo, tem a mãe que trabalha como cozinheira, com certeza ele já se deparou com o gênero textual ‘receita’:
 
Ingredientes:

• 2 goiabas;

• 4 ovos;

• 1/2 xícara de chá de óleo;

• 2 xícaras de chá de açúcar;

• 2 xícaras de chá bem cheias de farinha de trigo;

• 2 colheres de sopa de fermento em pó.


Nesse simples texto, percebemos que se faz necessário um “pré-conhecimento” de significados simbólicos, como ½ - que significa meia, ou até mesmo o entendimento de que os ovos não deverão ser colocados com casca, mas sim que deverão ser utilizadas apenas a gema e a clara, as xícaras de chá não são chá de óleo, muito menos de chá de açúcar... Mas onde estão estas informações? Por que não estão especificadas as formas corretas de preparo dos ingredientes para transformá-los em bolo? Eis a resposta... Só faz o bolo quem possui o conhecimento da receita, ou seja, o texto só será lido, quando for compreendido o sentido das palavras.

A leitura compreende os mecanismos de interpretação e compreensão de um texto e acontece dentro dos seguintes processos: quando o leitor interage, concretizando os sentidos abordados no texto, quando o leitor coopera e dialoga com o texto, afinal é ele quem termina de construí-lo, porque um texto só é texto quando lido, com isso o próprio leitor pode imaginar e interpretar diferentes significados.

Por fim, a leitura acaba por significar o principal processo de um texto, bem como o principal processo de instrumentalização do leitor, no qual é possível dar sentido aos códigos que estão sendo transformados em palavras e significados no decorrer da leitura.
 
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